terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E foi assim, tirando, tirando...















Caros amigos,
essa postagem começou porque fui contar para o Marcos que em 1976, o professor com a carga máxima, ganhava 20 salários mínimos por mês. Lembrei-me que eu por ter terminado a faculdade, nova e não ter idade para lecionar, continuei trabalhando na Mercedes Benz, onde ganhava $492,50 (salário mínimo), não lembro a moeda da época. E o professor do Estado ganhava mais de $ 8.000,00.

Disse também que em 1968, eu trabalhava num hospital e ganhava $90,00 - meio salário mínimo. Lembrei disso porque no primeiro salário comprei um relógio de $ 78,00 e depois fui pedir um sapato novo pra minha mãe. Vixi, que bronca que eu levei!

Depois fiz umas contas e mandei pro Marcos dizendo que então em 8 anos, de 1968 a 1976, o salário mínimo subiu aproximadamente 137% e fiz a pergunta: será que agora em 8 anos subiu essa mesma porcentagem? Teremos de pesquisar no Google.

Aí, como estou com a memória meio fraca por causa dos hormônios da adolescência - digo isso, porque não tenho sintomas da menopausa e ainda tenho espinhas -, pensei que se não conseguisse provar isso para o Marcos, diria que não encontrei. Não sou besta.
Mas consegui provar. Não tinha a carga integral.

Bom, as fotos dos holerites é só clicar nelas para ampliar, mas conforme o seu navegador, use o lado direito do mouse e escolha abrir link em nova janela (ou aba).
Isso até a Kika me telefonar e me corrigir, como sempre pra eu melhorar.
Bjs.

Agora estamos em 1981






Amigos,
lembram que em 1976 eu não sabia a moeda?
A de 1981 eu descobri, porque tenho aqui um cheque de um muiiiito conhecido meu, sem fundos e protestado, e está preenchido com sete mil cruzeiros.
Os primeiros holerites são do pagamento de abril/81 e a soma dava $ 48.954,87 (quarenta e oito mil, novecentos e cinqüenta e quatro cruzeiros e oitenta e sete centavos). Esse era o meu ordenado.

PRESTENÇÃO em abril.
Dia 1º de maio chegaram para viver comigo definitivamente minhas duas filhas, Paula com 2 anos e Marisa de 5 meses. Já tinha comprado um apartamento e seríamos felizes para sempre. Agora vejam a foto dos holerites de maio. Reparem que tenho dois com pagamento dia 08/05 e um dia 29/5. Lá vai o "causo".

Dia 09 de maio lá fui eu pro Banco "pegar" meu saldo. Naquele tempo se pegava o saldo com as mocinhas da mesa. Ela veio e me disse que a fazenda tinha estornado $ 22.000,00 de um erro do tempo que eu dava aulas em Salmorão. Caracas!! Eu pensei: lá eu tinha marido e não tinha filhos, e agora? A mocinha falou: -A senhora está passando mal? -Eu tô. Deu-me água e cafezinho. Pensei como sair daquela situação, pensei em parente rico, e aí só lembrava do meu pai, que tinha dinheiro, mas que falou minha gravidez inteira que eu não viveria com esse salário em São Paulo e que era pra eu ficar em Lucélia e pegar algumas aulinhas, morando com ele. Decidi que não iria contar pra ele. Aí lembrei de uma poupança que tinha na Caixa Econômica Federal, mas não tinha conta corrente e naquele tempo os juros só podiam ser retirados de 3 em 3 meses, senão perdia-se muito dinheiro.

Cheguei lá sozinha com minha bolsa e pedi pra falar com o gerente, ele estava ocupado e eu disse: ESPERO. Nunca fui de falar com os porcos e sim, com o dono da porcada. Quando ele me atendeu, contei a "desgraceira" toda e fiz a pergunta fatídica e certeira: - Então, o que nós vamos fazer agora? - NÓIS??? - Se eu contei pro senhor que tenho duas filhas que irão passar fome esse mês, o senhor ficou responsável por elas junto comigo.

Saí de lá com um especial de $ 10.000,00. Passei o mês e quando tirei os juros da poupança, paguei a ele e comprei os móveis para minha cozinha, porque usava caixas de papelão para guardar os utensílios - kkkk... Cheguei em casa e havia um senhor colocando as grades no meu apto. Mandei o homem embora porque não teria dinheiro para pagá-lo. Quando olhei o que ele já havia feito, falei pra empregada, vamos terminar. Ele tinha deixado os buracos prontos, então nós colocávamos a grade e cimentávamos os buracos.

Então, deu pra me entender? Eu ganhava quase $49.000,00, tiraram $22.000,00 então sobraram aproximadamente $27.000,00. Eu pagava $19.000,00 da prestação do apto, $7.000,00 para a empregada, fora as grades, prestação do carpete, sala de jantar nova, condomínio; sorte que o fusquinha estava pago, mas naquele mês, lógico, ACENDEU TUDO QUE FOI LUZ DELE e tive mecânico.

Vejam que no holerite com o vencimento dia 29/05, depois de reclamar até pro papa, vieram $18.000,00, então?? Ficaram faltando $ 4.000,00.
Pronto, 1981 acabou, agora passaremos para 1985.
Tem mais causos.

Chegamos em 1985




Caros amigos,
reparem na diferença numérica dos dois holerites. Mudaram a moeda!
Será que eu ganhei mais, ou menos? Ninguém sabe, ninguém viu e ninguém explicou.
Com a mudança de tantos zeros, eu como sempre otimista e "me achando", em dezembro passei em frente desse meu condomínio. Isso do nada, entrei, falei com o corretor: VOU COMPRAR. Tinha um dia pra pensar, porque a tabela mudaria daí dois dias e minha renda não daria pra financiar.

Olha, gente, também ninguém é de ferro né? Lá perto do meu antigo apartamento desmancharam um barracão e os ratos foram todos pra lá. É, eu enjoei mesmo. Ariano enjoado parte pra ação mesmo.

Cheguei em casa e disse para minhas duas filhas pra ficarem no quarto que a mamãe tinha que pensar muito. Não contei da novidade, porque nunca gostei de contar nada antes, por causa da ansiedade de crianças.Fiz uma garrafa de café, estiquei as pernas e pedi sinais de que deveria comprar ou não meu apto.

Tocaram a campainha e era uma vizinha querendo brigar com a minha Paula, coisa que em 5 anos morando lá não tinha acontecido. Depois colocaram uma conta por baixo da porta, 1/3 mais barata que nos outros meses. Aí me apareceu a Paula dizendo que ela usou a privada e que entupiu. O meu apartamento era no térreo e depois que eu comprei é que me contaram que tudo de um prédio estoura no térreo e 1º andar.

Pensei, tive 3 sinais, amanhã eu compro aquele apartamento.
Não sabia o que fazer com o velho, mas isso era problema pra depois.

De manhã já estava com todos os papéis. Eu teria um bônus por 6 meses. Pagava a prestação total e eles me reembolsavam mais da metade. Eu teria que dar uma entrada, então pensei, faço um empréstimo e pago em seis meses. Falei com o gerente e ele disse que tudo bem e que a prestação começaria em janeiro. Aí renegociei com ele, porque também sou filha de Deus, tinha alugado uma casa na praia pra janeiro e queria curtir a valer. Ele riu e colocou a primeira prestação para fevereiro.

Em janeiro fui para praia e meus pais ficaram com a minha cachorrinha Mathilde (com TH). Falando nela, logo que mudei pra cá, ela correu para o apartamento da vizinha. Estava com uma visita que me olhou feio pra burro e disse:
- Essa cachorrinha que chama Mathilde? Eu também me chamo.
Eu fiquei que não sabia o que fazer, então respondi;
-O teu é com TH? O dela é.

Vocês estão perguntado o que eu fiz com o apartamento velho, né?
Vendi pra Analice em um mês e meio.
Bom, amigos, agora vou acabar com os causos e eu e o Marcos vamos calcular em dólares.
Beijos e espero que tenham gostado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Eu e Mateus Carrieri





Caros amigos leitores do meu blog, os presentes e os anônimos

Pelo número de visitas diários vejo que não sao poucos.
Fiz esse blog com a intenção de escrever meu livro "A vida tem a cor que a gente pinta". Tenho aqui dentro mais de 13o textos meus então não sei como começar, mas a partir de hoje começarei o meu livro colocando sequência lógica dos meus textos.
Não pretendo ser nenhum best seller, nem sou capaz disso, mas assim como já sai em 4 revistas, quero deixar um livro para os netos. Pelo andar da carruagem acho que dirão: "Essa era a minha avó materna".
Pensei primeiro e comecei uma auto biografia, mas pensei e vi que nem todos poderiam lê-lo. Com as feridas adquiridas durante a minha vida, poderia "ferir" entes muito queridos. Teria de contar o período pior da minha vida, que foi no cangaço, e aí comprometeria o meu objetivo para os netos.
Teria que desabafar o que foram 29 anos na educação, e decidi que não tô mais nem aí pra ela. Já consegui me livrar então está bom demais.
Fora ter que colocar coisas íntimas de família. Não quero me expor.
Para mim, o que interessa é presente, passado não tem mais valor algum, só absorvi experiências, tristezas passaram. Futuro, depois de tudo que planto e plantei sei que será sempre bom. Agora é só colher.
Continuarei escrevendo por aqui. Voltem sempre.
Quando pensarem em perseverança assistam no Youtube, Joseph Climber. Vale a pena.
Bjs a todos, presentes e anônimos


Love story piano-mp3
Bethoven - Beethoven

Com 13 anos tocava essa música no piano. Faz temmmmmmpo!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Interesse dos alunos? Ache um jeito professor

Durante anos ouvia falar que tínhamos que trabalhar perto da realidade dos alunos. Eu pensava, pensava e dizia, como? Até que eu entendi.
Se vc chegar na classe e disser página tal, hoje vamos estudar ácido desoxiribonucléico e no livro está escrito " encontra-se no núcleo da célula e produz cópias exatas de si mesmo". Ninguém entende e lògicamente não irão se interessar. A gente nunca se interessa pelo que não entende.
Aí se vc mudar e falar:Sabe como se chama o DNA do programa do ratinho?(eu sou antiga).Ácido desoxiribonucléico. Os alunos, como faz parte da vida deles a TV, além de prestar atenção, manda os colegas ficarem quietos.
Aí vc traduz o pedaço "encontra-se no núcleo da célula e produz cópias exatas de si mesmo", que é simplesmente como se em cada célula tivesse "foto" de nossos pais biológicos, por isso que até num fio de cabelo é possível descobrir o DNA.
Dessa forma o aluno entende, se interessa, conta até em casa sobre o que aprendeu.
"Menos és mas" como dizia meu professor.
Vc não se impõe dificultando a matéria, e sim, deixando-a de um modo que TODOS entendam.
Os alunos sempre gostarão da sua aula, porque ele aprende de fato e o que se aprende mesmo, fica para o resto da vida.
E o termo desoxiribonucléico é uma ótima palavra para se brincar de forca tb. Valeu!!!!
Bjs

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Chiclete

Outro dia assisti na TV uma especialista não sei do que, explicando o porquê do chiclete fazer mal para o estômago. Não aguentei e ri sózinha. Ela numa seriedade e eu lembrei de como explicava isso para os meus alunos.
Estavam numa bagunça e eu gritava alguma coisa para eles prestarem atenção, e sempre a do chiclete surtia efeito. Eles ficavam quietos para escutar e ainda mandavam os outros "calarem a boca"
Eu gritava:
-O cérebro é o culpado do chiclete fazer mal para o estômago.
Eles ficavam curiosos e faziam aquele silêncio para escutar.
Eu dizia: quando vc coloca o chiclete na boca, o cérebro grita para o estômago:
- TÁ INDO COMIDA AÍ.
O estômago acredita e solta todo o suco gástrico, então dá aquela sensação de fome e queima o estômago, como se vc tivesse tomado vinagre puro.
Blá, blá, blá e eles prestavam atenção pra valer.
Cada um usa as armas que tem pra fazer aluno ficar interessado, a minha era essa. Sempre achando uma frase bombástica.



Malandro é malandro e Mané é Mané
Bezerra da Silva

"Causo" para o casal que me endoida.

Quando a educação começou a ir pra UTI, porque inventaram sala ambiente, sem nada pra desenvolver o que realmente interessava, eu tinha uma classe que podia fazer todo tipo de trabalho e dos mais diferenciados possíveis.
Em setembro, eu pensei:
-Só isso que eu posso fazer por eles? "Vomitar" matéria?
Eu tinha percebido que os alunos com a "falência" da educação, não sabiam fazer perguntas sobre nada, simplesmente porque não sabiam dar opinião em quase todos os assuntos.
Tínhamos 3 aulas por semana, sendo que na sexta-feira, era a primeira aula e a última (detalhe, eu quem fazia o horário da escola). Conversei com os alunos e combinamos que trabalharíamos bastante nas duas aulas semanais com a matéria e na última de sexta, debateríamos sobre qualquer assunto da nossa escolha.
Como sempre tem alunos, seres humanos, que não se interessam por nada que possa acrescentar, disse que essa aula estavam dispensados os que preferiam ficar à toa.
Juro que pensei em fazer isso com todas as classes, mas imaginem se não tive problema com direção, inspetor de aluno e coordenador que vinham "devolver" meus alunos. Só que perderam de perceber que com o passar das semanas eles voltavam pouco a pouco devido ao comentário animadérrimo dos colegas.
O assunto era escolhido na hora.
Eu tinha um aluno negro que me preocupava bastante, porque no intervalo ele ficava só e na sala de aula, fazia tudo mas não abria a boca. Estranhei quando vi que ele optou em ficar nos debates. Pensei, ele não fala, como pode querer participar?
No dia do tema "preconceito", eu comecei dizendo do que vivi criando minhas filhas sem pai. Todas as crianças do prédio podiam esquecer as bicicletas na garagem, mas se as minhas esquecessem, tinha moradores que as jogavam na rua. Disse também que falei para as minhas filhas que se combate o preconceito como sendo "as melhores", não em valor, mas em atitudes.
Qual não foi meu espanto quando esse meu aluno começou a falar e contar das vezes em que foi considerado ladrão junto com a mãe em supermercados, lojas e etc. Disse também que nunca pensou que eu, branca, tivesse passado por preconceito, porque para ele, somente os negros tinham esse tipo de problema.Ele sintetizava preconceito em só esse.
A partir desse dia, esse aluno virou participativo de tudo, aula, debate, recreio, ele virou outro ser humano.
Até hoje ninguém entendeu o que eu quis fazer e fiz!
Professor não pode desenvolver "papos" e sim, explicar matéria, que se não for aprendida realmente, são "palavras ao vento". O ser humano não é considerado importante.
O que importa é que quando lembro disso, fico feliz.
Bjs



Tema do Filme "Ao mestre com carinho"